30 setembro 2015

Setembro: Sobre recomeços

Ou, reveillon fora de época.
Também conhecido como "resumo do mês".

Enquanto reclamei da demora de agosto, nem vi setembro passar. E enquanto agosto foi super movimentado, fiz vários nadas em setembro. Já comecei o mês escrevendo sobre não conseguir escrever #crises, mantive a promessa das quartas fotográficas e percebi que devia ter me organizado melhor para fazer esses posts, eu escrevi muito esse mês, descobri que eu gosto de maquiagem, falei do babaca nosso de cada dia e de resto ele foi regado à Anne Frank. Esse mês eu gravei o vídeo de 50 perguntas sobre Harry Potter, mas não estou conseguindo fazer upload pelo celular. Fora da internet eu tive vida social, e aquele dia foi louco. E comecei a fazer umas aulas de História da Arte I. Setembro trouxe a primavera, e nada melhor do que aproveitar essa época do ano para renovar-se junto com a natureza, e pode se dizer que esse mês eu comecei de novo, apesar de ainda reclamar do calor. E nesse meio tempo aconteceu o milagre do 7 de setembro: choveu. Choveu enquanto eu refletia sobre a vida adulta e o que é ser adulto afinal de contas.


Setembro mal acabou e eu já estou naquela de refletir sobre a vida como um todo. "Natal está aí e o que é que você fez?", mas esse ano, sem surtar. Tenho três meses pela frente e mantenho o objetivo que coloquei para mim lá na retrospectiva de 2014: viver intensamente. Tenho feito muita coisa esse ano e por mais que as coisas não estejam caminhando como imaginei (nem manter a meta literária eu consegui), essa é a graça da vida, ela anda à próprios passos, tá nem aí pra gente e é a gente que tem que se adaptar às rasteiras que ela nos dá. Resolvi seguir o conselho de um amigo e começar a me arriscar, coisa que eu já sabia e que já cansei de ler por aí. Não pretendo fazer em três meses o que não fiz em nove, mas pelo menos, continuar fazendo. Eu até fiz muito nesses nove meses. Só quero continuar e deixar o destino me surpreender, vai que né? O não eu já tenho. Eu continuo sentindo falta do diarinho e não sei o que preciso fazer para acabar com a saudade. E por mais que eu me sinta estagnada de vez em quando, sinto como se, na verdade, minha vida estivesse dando passinhos de formiga, o que é melhor do que nada. Setembro foi o mês de lidar com as crises, mas dessa vez, sair por cima.

Eu não sei se é coisa da primavera, mas eu me sinto florescer, parece até vibe de ano novo. É como se meu ano estive recomeçando agora, antes mesmo de acabar, e pela primeira vez não sinto como se isso fosse uma coisa terrível. Há nove meses eu escrevia sobre dúvidas e medo, e hoje não sinto nada disso. Talvez dezembro me faça pagar a língua, mas eu duvido. Naquele dia eu só queria coragem para arriscar, e pisei em ovos esse ano, mas nove meses depois eu finalmente comecei a arriscar de verdade. E eu não sei se você acredita em numerologia, mas 2016 é ano do número 9, e depois de tantos noves nesse texto, já estou achando que isso é um sinal. Posso estar pulando as ondinhas antes da hora, mas quero recomeçar junto com a natureza, e pelo uma vez, viver sem ter medo do amanhã, porque o que importa é o que estou vivendo hoje. O que pode me dar uma boa história para contar amanhã. 
Você pode ser cético o quanto for, mas as previsões numerológicas para 2015 fizeram (e estão fazendo) sentido. E eu não as li antes da virada do ano. Já falei lá em cima que comecei a me arriscar, e coincidência ou não, dizem que 2016 trará "angústia e vazio existencial" (já tô me preparando pra bad), mas que esses sentimentos darão impulso para sair da zona de conforto, OU SEJA. Não adianta negar as aparências e disfarçar as evidências. Esse mês foi fraco até de links, mas tudo bem. Teve vídeo sobre habilidades especiais da Jout Jout, me inscrevi na newsletter semanal de gatos do buzzfeed, teve texto sobre primeiras vezes da Brendha, um texto da Patrícia Pirota sobre ser professora e um texto da Luh Testoni sobre estar onde você deveria estar. É válido também citar o projeto de cartas da Thay e da Yuu, uma mais linda que a outra. Também tem esse tumblr incrível e um texto da Ana Luiza sobre uma improvável amizade de banheiro.
Aí você está se perguntando há dois dias que coisa é aquilo no cabeçalho (ou não), bom, esse é apenas um dos vários nomes que já tive nesses cinco anos, e como foi reclamado em algum post antigo, enjoei de "Diga, Ludimila" simplesmente porque ele foi dado no calor do momento e da noite pro dia - literalmente, então, por que não voltar com meu nominho? Mudou a estação, teoricamente, nada mudou. Quando as coisas começam a me incomodar eu não aquieto até acabar com elas. A URL não mudou nem vai mudar, isso é só pra explicar porque raios aquilo está escrito no cabeçalho do blog e ele vai continuar sendo chamado de DL porque é mais fácil. Por título de curiosidade, essa frase foi inspirada em um trecho da música La La Land, da Demi Lovato (ouçam!). E, tudo bem, confesso que faço as coisas bem impulsionalmente, mas fazer o quê? Ninguém precisa dar nome aos bois. Esse mês também, por incrível que pareça, eu voltei a ter um diário e é incrível como escrever clareia a mente. 

Que outubro traga bons ventos e que eu (nós!) consiga lidar com as tempestades!


28 setembro 2015

E da próxima vez, vá buzinar para a sua avó

Sábado, cinco e pouca da tarde, uma amiga e eu estamos caminhando para o ponto de ônibus devidamente vestidas para a festa que já estava acontecendo desde às 15:00. E eu nunca ouvi tantas buzinas na minha vida. Conforme íamos andando e ignorando os engraçadinhos, eu vinha refletindo sobre eles e me lembrando de todos os relatos que já encontrei por essa internet infinita de meninas que passaram pela mesma situação. E o tamanho dos shorts não entra nessa história. Não preciso justificar a roupa que eu uso pra ninguém, porque enquanto duas moças para quem pedimos informação perguntam para onde iam duas mocinhas tão bem vestidas, o resto do caminho foi regado a olhares inconvenientes e buzinas insistentes. E a verdade é que os babacas serão babacas, não importa se você está ou não mostrando suas pernas. E é a verdade porque isso aconteceu há poucas semanas, comigo. Calça jeans, tênis e a camiseta do uniforme. Um babaca do outro lado da rua. Até quando?

Eu tenho medo de sair sozinha à noite, eu tenho medo de voltar para casa depois das dez, eu tenho medo de usar saias no ônibus, eu tenho medo! E não é medo de ser assaltada, é medo de ser estuprada. Levem tudo que eu tenho mas deixem meu corpo em paz. Eu ando um quarteirão para chegar em casa, com a luz do poste queimada e torcendo pra não ter ninguém nos vãos das casas ou na esquina me esperando. Eu gasto menos de três minutos, sendo que normalmente em passadas normais, eu demoraria no mínimo, cinco. Porque eu tenho medo. Eu tive medo quando tentei alertar uma moça que ela estava tentando ser assaltada. Eu tenho medo de ir em festas muito cheias, e alguém achar que eu bebi demais. Eu tenho que pensar nas roupas que vou usar nessas festas, vai que um engraçadinho tenta se aproveitar, não é mesmo? Quando vejo uma construção, atravesso a rua. É como se estivéssemos vivendo em uma selva e os homens fossem os animais selvagens.

Será que é tão difícil assim ignorar o corpo do outro? Ignorar a vida do outro? Eu poderia me estender mais, mas não vale a pena. Eu só estaria me tornando repetitiva. O tempo todo o que eu vejo são mulheres tornando-se objetos dos homens, nós pagamos menos para que eles tenham um grande cardápio para caçar, nenhum homem nunca teve de justificar o porquê ou o tamanho dos shorts, nenhum homem nunca teve de cobrir as pernas por estar mostrando os peitos ou vice-versa. Não importa nosso tamanho, cor ou classe, estamos sujeitas a abordagens inconvenientes na rua simplesmente por sermos mulheres. O tempo todo um bando de homens está lá para encarar quem quer que você seja. Mas não encarar com educação, eles simplesmente te comem com os olhos. Não estamos a salvo em lugar algum. Tudo por ser mulher.

-e da próxima vez, nem buzine-

25 setembro 2015

O diário de Anne Frank

"Espero poder contar tudo a você, como nunca pude contar a ninguém, e espero que você seja uma grande fonte de conforto e ajuda." - 12 de junho de 1942.

Eu não tenho palavras para comentar esse livro. Assim que terminei, já comecei a ler novamente, e me arrependo de não ter feito anotações e marcações, mas eu queria assim, para poder reler de forma diferente. Não que eu não tenha lido profundamente, mas eu queria um primeiro contato sem me preocupar com as passagens, eu só queria ler de cabo a rabo, para depois reler e continuar relendo, porque ele se tornou um dos meus livros de cabeceira. Não vou nem me dar ao trabalho de escrever uma sinopse, pois se tratando da Segunda Guerra Mundial, você já tem uma ideia do que Anne escreveu nessas páginas. 

O diário de Anne me fez refletir sobre várias coisas, mas no momento, quando paro para pensar nas últimas 404 páginas, eu só consigo pensar nos arrastões que estão acontecendo no Rio de Janeiro, na guerra civil na Síria e em todos os pequenos delitos que cometo e cometemos do dia-a-dia. Só de pensar que há 70 anos uma adolescente escrevia sobre isso, sobre o horror que era, e ainda é a guerra, as pessoas se machucam o tempo todo, e continuam se machucando, e parece que o mundo não mudou tanto assim. Ainda temos ditadores. Ainda temos a morte de inocentes. Estamos estagnados no tempo e, pelo o que parece, longe de mudar. E a trilha sonora perfeita para esse momento é a música O Lobo, da Pitty.

"Há uma necessidade destrutiva nas pessoas, a necessidade de demonstrar fúria, de assassinar e matar. E até que toda a humanidade, sem exceção, passe por uma metamorfose, as guerras continuarão a ser declaradas, e tudo o que foi cuidadosamente construído, cultivado e criado será cortado e destruído, só para começar outra vez!" - 1944 (perdi a data correta)

Esse foi o único que trecho que nessa primeira leitura eu tive realmente de marcar. Quando as pessoas vão parar de lutar umas com as outras? Quando as guerras vão deixar de existir? Tento ser otimista e pensar que estamos caminhando para a evolução, mas só de ler as notícias, vejo como estamos andando para trás. Durante os dois anos escondida no Anexo Secreto e tendo apenas o diário como válvula de escape, Anne amadureceu muito, e durante toda a leitura eu me esquecia que aquilo tinha acontecido de verdade. Toda vez que pausava a leitura vinha aquele click seguido da bad (não tem definição melhor para o que eu senti lendo o diário), e minha fé na humanidade ia se esvaindo cada vez mais. Anne foi uma adolescente com medos, dúvidas e descobertas, e não sei onde ouvi isso, acho que foi em Minha querida Anne Frank, enquanto o diário continuar vivo, Anne continuará viva.

Ler o diário de Anne é válido não apenas para os entusiastas de história, mas para qualquer um que queira ler uma nova perspectiva sobre tudo. Anne aborda muitos assuntos nesses dois anos de cativeiro, e sim, cativeiro porque eles não eram livres, por mais que não estivessem literalmente presos. Reflexões sobre a guerra, rompantes feministas, literatura, amor e tudo que pode sair de uma menina entre seus 13 e 15 anos. Anne adorava estudar e aprender sobre tudo, queria ser jornalista e depois, escritora. Eu já indiquei o livro Contos do Esconderijo aqui, e vale a pena ler a ficção de Anne, inclusive ela comenta um de seus contos no diário, A Vida de Cady

Anne me inspirou a mudar e buscar sempre ter nem que seja uma pontinha de esperança na humanidade e em mim mesma. Enfim, como eu disse, já estou relendo o livro e quero fazer um diário de leitura dessa vez, quero fazer comentários e responder às "cartas" de Anne. Entrou para os favoritos da vida.

« skoob »

23 setembro 2015

Você pode fotografar qualquer coisa

Olá! Hoje eu não trouxe dicas, e sim inspirações :) Quanto mais eu pesquiso sobre fotografia na internet, mais projetos legais eu descubro. Estou no campo das ideias ainda, querendo criar meu próprio projetinho, mas enquanto não consigo passar nada para o papel, resolvi trazer hoje três que eu acompanho e adoro, e espero que você goste tanto quanto eu!

30 days of toys
Eu já citei a Luh por aqui mais de uma vez e quando falo de fotografia criativa, ela é uma das minhas maiores inspirações. Eu participava do #desafioprimeira, mas apesar de estar em um hiatus não programado, continuo acompanhando o trabalho dela tanto no blog, quanto no Instagram. Como o nome já diz, é um projeto com toys.



A Tribute Series
Conheci o projeto da Larissa essa semana, e foi a inspiração para esse post. Eu acompanho ela no Flickr e por lá descobri o Lomogracinha. O A Tribute Series é um projeto feito com autorretratos, mas não fosse só isso, ela se veste de personagens e personalidades, o que da mais vida ainda para as fotografias.


Larissa Coutinho - A Tribute Series - @varetinha

A Florigrafia
Idealizado por @nataliaaaviana e @raafaelamelo, nesse projeto nós temos flores, fotografia e ilustração. Só amor.


Criar projetos, mesmo que só para si, é uma ótima maneira de treinar e exercitar a criatividade. Fotografe um tema por um tempo e vai perceber que aos poucos você mesmo vai começar a pensar diferente, em como fazer diferente e em como contar aquela história de maneiras diferentes. 

21 setembro 2015

A whole new world

Eu nunca fui de usar maquiagem. Na verdade, eu nunca fui vaidosa, no geral. Nunca me importei com minha imagem. Quando eu era criança, tive sim contato com todas essas cores, mas não era uma coisa com a qual eu me importava, e todas as maquiagens que ganhei durante os anos, ficaram estocadas em um canto do guarda-roupa ganhando pó, até que eu vi que elas tinham passado da data de validade e uma sacolinha cheia de produtos foi parar no lixo. Quando eu era criança, eu também não me sentia bonita, mas logo ia brincar com os meninos e esquecia disso. Meu lado moleque sempre me ajudou. Até que começamos a crescer e meninas e meninos não podiam mais brincar juntos, e eu não poderia me sentir mais deslocada. Todas as minhas amigas brincando de pintar seus rostos, e eu querendo fazer qualquer outra coisa, menos isso. Daí chegou a adolescência e eu vi que não tinha jeito mesmo, e eu não entendia como é que aquelas meninas tinham pique para acordar cedo e ainda ir para a escola de cara pintada. E nem preciso mencionar como é difícil ser o diferente na adolescência. Eu comecei a usar maquiagem com 17 anos por pura obrigação, já que não podia trabalhar de cara lavada, com direito a gerente perguntando se eu "não poderia passar só um pó no rosto", pra sabe, ficar igual. Depois de me livrar dessa fase me livrei da maquiagem, até descobrir que era uma coisa que eu gostava, só não entendia.

Eu comecei a usar maquiagem por conta própria deve fazer menos de um ano, mas quando eu digo maquiagem, quero dizer batom. Foi a primeira vez que arrisquei alguma coisa diferente do que eu estava acostumada, falando de maquiagem, e gostei do resultado. Mas eu fiquei nessa por um bom tempo, tirando o lápis preto de cada dia de quando eu tinha 18 anos, era só. E então eu fui apresentada à todo um novo mundo de batons coloridos e possibilidades, foi quando eu me apaixonei pelo batom roxo-de-verdade, pulei todas as etapas e fui direto para o batom vinho, e quando estou afim, o vermelho nosso de cada dia. Mas eu continuava me achando estranha e desproporcional, afinal, o que era aquela boca colorida ali naquela tela em branco? Foi só no sábado, depois de um teste de contorno, que eu me olhei no espelho e não acreditei no que eu via. Aquela era a mesma garota de meio minuto atrás? Cheia de inseguranças e medo? Cheia de vergonhas? Eu não tinha nada mais do que aquelas tintas no rosto e me sentia como se tivesse nascido de novo. E aquele sábado me abriu outro leque de possibilidades. Foi a primeira vez que fiz uma maquiagem completa.

Ok, quase. Não tinham sombras, mas tinha delineador. Tinha blush. Tinha tudo o que tinha direito de ter naquela maquiagem, e tinha batom vinho. E eu me apaixonei por esse novo mundo onde eu poderia recriar a mim mesma, ser eu mesma e, quando eu quisesse, ser quem eu quisesse ser. A maquiagem deixou de ser uma coisa chata, para se tornar uma aliada. É como se eu tivesse feito as pazes com uma velha amiga. Não querer usar maquiagem todos os dias é normal, mas têm dias que a primeira coisa que penso ao acordar é que naquele dia, quero brincar de me maquiar. Dizem que se maquiar, é se preparar para a guerra, é ter segundas intenções, eu discordo. Se maquiar é se libertar. Hoje eu não vim discutir padrões da mídia, nem nada do tipo, da mesma forma que muitas meninas são presas na obrigação de se maquiar, eu fiquei presa no pré-conceito de que esse mundo não era para mim por não ser bonita o suficiente, ou não combinar com a minha personalidade, e essa foi a maior besteira de todas. Combina sim, o que você quiser que combine com você.

Depois de quatro horas de festa, três copos de vodka e um número de celular, olhar para a foto que tiramos antes de tudo isso acontecer me fez ver que ali debaixo daquela casca dura, tinha uma flor (e Jesus, como isso soou brega, haha). Meio que me senti em One Of The Boys, da Katy Perry.

Eu não sei se é a idade, uma fase ou o calor do momento, mas aquela garota de delineador achou o máximo mudar um pouco pra variar e quer fazer isso mais vezes. Se eu não posso brincar com a minha própria aparência, vou brincar com o quê? Mais do que um monte de pós e tinta, a maquiagem é uma forma de expressão, e eu finalmente estou percebendo isso. Eu ainda não entendo metade dos poucos produtos que tenho, nem sei pra que meus pincéis servem cada um, mas eu estou disposta a descobrir, e o mais importante, estou disposta a me descobrir. 

Agora você já pode tacar as pedras e me chamar de contraditória, já que em março desse mesmo ano eu disse que "até hoje não sou fã de maquiagem. Raramente você me verá cheia de pós no rosto, principalmente se eu sair de casa antes das 10", mas foram longos seis meses para chegar até aqui. Eu descobri que eu gosto de maquiagem, e que gostei de fazer toda aquela maquiagem (mesmo voltando toda destruída pra casa, risos), e por mais que no dia-a-dia me dê preguiça de vez em quando, eu quero começar a testar e brincar com essas possibilidades. 

~a whole new world, a new fantastic point of view~

16 setembro 2015

Treinando seu olhar

A quarta-feira está de volta e já seguimos com a quarta (!) postagem temática por aqui. Estamos à todo vapor. Hoje eu vou falar um pouco sobre enquadramento, composição e a regra dos terços :) A fotografia é uma arte visual, e quem está olhando tem a sensibilidade de não entender a técnica, mas de pelo menos saber se aquela foto está, por exemplo, poluída visualmente. Quando falamos sobre composição, estamos falando do visual da fotografia. Na definição de composição temos  que ela é o "modo pelo qual os elementos constituintes do todo se dispõem e integram", como exemplo, as fotos abaixo, que compartilham do mesmo tema mas estão dispostas de formas diferentes, e no enquadramento temos focos diferentes.



Enquanto na primeira foto o foco está na caneca, dizendo a que casa pertence aquele Potterhead, a segunda nos diz que o livro favorito do leitor talvez seja "Harry Potter e o Cálice de Fogo". O enquadramento nada mais é do que os limites da imagem, o que tem dentro daquele retângulo. O que nos leva a regrinha de hoje: a regra dos terços. Primeiro, imagine um jogo da velha em cima da foto, assim ela fica dividida em nove partes iguais, cada intercessão gera um ponto, formando quatro pontos no centro da foto, o que nos leva a aproveitas os cantos ao invés de sempre centralizar o assunto. Aqui tem melhor explicado, e bem mais detalhado. Abaixo eu tenho três exemplos, para direita, esquerda e centro. 




A regra dos terços vale para qualquer tipo de fotografia que você queira compor e uma forma de treinar é se imaginar com uma câmera, mesmo que você não tenha nada em mãos, e ficar enquadrando a vida afora. Eu faço isso inconscientemente e na hora de clicar já sei o que eu quero. Seu olho fica mais ágil e acostumado com as ações. Para um retrato, por exemplo, você vai querer que os olhos fiquem mais acima, já para uma pessoa + paisagem, talvez você queira enquadrar o fotografado para um dos cantos e criar uma foto diferente, se aproveitando do fundo, e assim por diante. 





Como dá para perceber, eu tenho uma tendência à meios levemente inclinados para os cantos (risos). Espero que tenha ajudado de alguma forma ^^

15 setembro 2015

O milagre do 7 de setembro

Era mais um daqueles dias ruins e eu não aguentava mais ouvir o som do notebook, sentir sua fumaça quente e aguentar seu peso no meu colo. Era feriado, mas eu não dava a mínima já que não ia sair de qualquer forma. Eu daria qualquer coisa para estar em uma festa naquele momento. Já faz mais de um ano da última vez que eu saí. Mas eu também queria estar sozinha para conversar com meus pensamentos. Ultimamente a casa cheia já não é tão atrativa assim e talvez eu seja um pouco Robin no que se diz crianças. Não, apenas não. E mais uma vez eu ouvia gritos, e barulhos, e mexeção - e vida. E eu só queria estar sozinha. A melancolia da vida adulta. 

Desde que percebi que estou mais perto dos 24 do que eu achava, comecei a refletir. E minha mão dói com o manuscrito. E daqui a pouco minha mãe entra na porta com a lista de afazeres. Há quanto tempo eu não escrevo com as mãos? Essa letra me parece desconhecida. Desde que a vida adulta se instalou sem pedir licença, tenho refletido mais sobre tudo. Acho que vou comprar um caderno novo para chamar de diário. Talvez. Os 24 se aproximam assustadoramente e me fazem lembrar da carta que escrevi para a Eu de 25. Não lembro temas, não lembro nada do que está lá, mas e se eu não realizei nada do que está lá? E se o que está lá, não faz parte das minhas realizações? Eu nem me lembro quantos anos tinha quando escrevi aquela carta, e nem sei se ela vai chegar. Ela deveria fazer sentido? Crescer é uma dúvida eterna e má. Por que crescer? "Once you grow up, you can never come back", disse Peter Pan. Mas voltar para onde? Onde fica minha terra do nunca? Eu nunca me senti em casa. Eu não teria para onde voltar. E eu quero voltar? Acho que não. 

Já parou para pensar que coisa louca é essa de ser adulto? Essa coisa de crescer? Eu estava mexendo na minha planilha financeira quando me deparei com a aba da poupança. 2015 acabando, já fiz a coluna de 2016, 2017 e 2018. Em 2018 eu terei 24 anos. Pera aí, como é que é? Parece que foi ontem que faltavam cinco anos para que eu chegasse nos 20, e agora faltam só três para os 24, e parece que nem passou tanto tempo assim. Mas passou. E está passando. Nesse exato momento a vida está passando aqui dentro e lá fora. E parece que tudo está correndo. Antes crescer parecia uma coisa legal, agora é uma coisa duvidosa e cheia de dedos. E apesar de 21 parecer pouco perto de 24, 24 parece um número grande demais perto do meu 21. E 21 nem parece tão grande perto dos meus 17. Daí vem todos aqueles sentimentos. As dúvidas. As vontades. A vontade de voar, conhecer tudo, a vontade de se perder e se encontrar. Você não se sente ninguém, e se sente cansado, e frustrado. 

24 parecia um número muito distante, mas hoje ele parece cada vez mais perto. E eu me sinto como se não estivesse fazendo nada, vivendo nada, sendo ninguém. E choveu. E não sei se continua chovendo. Mas uma coisa não mudou - a previsão do tempo continua sendo tempestade. E talvez quando eu finalmente vestir a capa de chuva amarela as coisas comecem a clarear.

14 setembro 2015

Minha querida Anne Frank (2009)

Ontem eu assisti um filme baseado no livro "Memories of Anne Frank", escrito por Hannah Boslar, sua amiga de infância. Neste filme somos introduzidos ao sumiço repentino dos Frank, eles brevemente escondidos no Anexo Secreto, a captura dos Boslar e depois dos refugiados do Anexo. Após essa introdução somos apresentados a realidade do campo de concentração. Como qualquer outro filme sobre a Segunda Guerra, triste e tocante. Muita gente diz que se decepcionou por não ser fiel ao diário, mas lembrando, "Minha querida Anne Frank" não foi baseado no diário, e sim em um livro escrito pela Hannah! No diário ela é chamada de Lies.

O começo do filme é bem rápido, Hanneli nos conta um pouco de sua infância com Anne, a invasão dos soldados alemães na Holanda e a partida repentina dos Frank para a Suíça, afinal vamos nos lembrar que poucas pessoas sabiam do Anexo e a família Goslar não era uma delas. E fico pensando que se os Goslar fossem chamados para o esconderijo, muita coisa teria terminado diferente na história. A família Goslar é levada pelos alemães, se eu não me engano, antes dos Frank, e no filme o espaço de tempo não ficou muito bem divido então pouco tempo depois o Anexo é descoberto e as oito pessoas são levadas para Auschwitz.

Gostei que no filme eles também dão destaque à Miep Gies, uma das ajudantes da família Frank. Acredito que não só em "Memories of Anne Frank: Reflections of a Childhood Friend", que foi traduzido como "Memórias de Anne Frank: as lembranças de uma amiga de infância", esse filme foi baseado, eles pegaram um pouco do diário e pelo que dá a entender, um pouco do livro escrito pela própria Miep, "Anne Frank, o outro lado do diário". Todos esses livros já estão na minha lista de leitura e espero conseguir lê-los em breve. É uma forma de conhecer todos os lados de Anne, pela visão de mais de uma pessoa.

Depois dessa introdução somos jogados em Auschwitz e boa parte do filme a partir daqui é o que já esperamos de um relato sobre os campos: as condições horríveis em que eram deixados os judeus e a caminhada para morte. A parte mais tocante foi a forma como eles conseguiram manter o brilho de esperança que tinha dentro de Anne, ela realmente acreditava que aquele horror um dia iria acabar, e não dá para saber se ela continuou sendo essa garota ao ser levada, mas podemos pelo menos imaginar que sim. Em algum momento aqui no meio Anne e sua irmão são transferidas para Bergen-Belsen e já caminhando para o final do filme temos o reencontro de Anne e Hanneli que não vou contar como foi porque vale a emoção, e Bergen-Belsen finalmente é atacado e os judeus são soltos.

O filme falha um pouco nas transições de cenário e na cronologia dos fatos, mas vale a pena para quem se interessa pelo tema ou para quem tenha lido o diário de Anne.

09 setembro 2015

Retratos

O retrato é provavelmente a fotografia mais intimista e sincera a ser tirada. E a mais difícil. Difícil de criar, deixar e ficar a vontade, e mostrar quem aquela pessoa é - ou quer ser, naquele momento. E ao mesmo tempo que conta uma história através daquela fotografia: quem é a pessoa, o que ela está fazendo e qual mensagem ela quer passar. Se é que ela quer passar. No último diário de leitura do Movie Box o tema foi retratos, então me inspirei a trazer um pouco dessa arte antiga hoje."A portait! What could be more simple and more profound?", como disse Charles Baudelaire. Tirando toda a parte psicológica, a técnica chega a ser uma das mais simples: foque nos olhos. 

Mas a menos que você queira uma segunda versão da foto do RG, use a criatividade e busque novos lugares para fotografar, nem só de uma pessoa estática e sem expressão olhando para a câmera vive um retrato. Conte uma história, tire uma foto com personalidade - tanto sua, quanto do fotografado. Esqueça a parede branca por um momento e dê profundidade para a sua fotografia. Seja o mais natural possível e não se esqueça de sorrir, pois as pessoas têm medo da câmera (e nem todo retrato precisa sem em preto e branco, okay? Essa sou eu).






A definição de retrato seria a imagem de uma pessoa reproduzida por pintura, desenho ou fotografia, e dentro da fotografia essa definição fica mais complexa, pois nem toda fotografia é um retrato, mas todo retrato é uma fotografia. Podemos ter tanto os retratos "clássicos", que seria uma só pessoa como foco na foto, olhando ou não para a câmera, tanto também podemos ter retratos de família por exemplo, com um grupo de pessoas. A forma mais fácil de identificar se aquela fotografia é um retrato é procurando por um ou mais rostos em destaque.





Mas e o equipamento? Faço parte do time que brada que o equipamento não é importante. Quero falar disso mais pra frente, mas se você não quer trabalhar com isso não tem porquê se preocupar em comprar a melhor lente ou último lançamento da Nikon, tem gente que faz coisas incríveis só com o celular! Por via de curiosidade eu uso uma Nikon D60 que já saiu de linha e a lente do kit, a 18-55mm, que ainda por cima comprei usadas. ¯\_(ツ)_/¯ O que eu estou tentando dizer é que são passinhos de formiga, se desesperar por equipamento sem saber pra que eles servem é dar tiro no pé e levar um rombo no bolso, pensa nisso.

Até quarta-feira que vem!

08 setembro 2015

Eu não sei lidar


Eu realmente não entendo as pessoas que gostam do calor. 

No calor a gente fica desconfortável, suando, sofrendo, e não tem nenhum lugar aceitável para morrer em paz. Ficar em casa é ruim, e sair é pior ainda. Onde você vai, tem tumulto, tem bagunça e o mais importante, tem gente. E no calor todos estão buscando uma forma de não morrer sufocados no próprio suor. Então as pessoas se multiplicam nos shoppings, no cinema, no clube, na rua, em todo lugar. Eu poderia ir para o clube aproveitar o calor, você diz, eu poderia ir para o shopping aproveitar o ar condicionado, você diz, eu poderia parar de reclamar, você diz, mas para tudo isso eu teria que me locomover até os tais ditos lugares e torrar no sol até chegar lá. E então quando eu finalmente chegasse lá, eu já estaria toda suada e desconfortável, e eu teria que lidar com pessoas, e eu não sei lidar. Fora que a cidade fica cinza, mas não aquele cinza bonitinho de olha a chuva, mas aquele cinza poeirento que deixa meus óculos embaçados, o que resulta em uma pessoa já relativamente cega, enxergando pontinhos de luz cinza.

Só que não bastasse a vida lá fora ser esse inferno, a vida dentro de casa não é muito melhor. Eu não consigo ficar sentada usando a internet, lendo, comendo ou respirando sem suar. E eu acho que o pior de tudo nem o notebook me esquentando, é não ter como resfriar. No frio você consegue se esquentar o quanto quiser, no calor você não consegue resfriar nem com reza brava. Tudo fica quente. Eu fico quente. O celular fica quente e, só de estar escrevendo esse texto eu já estou derretendo mais uma vez. Mesmo que o meu quarto seja o mais ventilado da casa e esteja entrando um arzinho gostoso, eu não consigo lidar com o fato de que lá fora está fazendo 30 graus, e aumentando. 

Faz tempo que eu não sei o que é uma gota de chuva, o tempo seco irrita meu nariz e adivinha só: eu só fico gripada no calor. Daquelas gripes de assinar o testamento e se declarar pros seus amigos, porque, meu deus, estou morrendo. Meu nariz derreteu de tanto eu assoar. Então você se descobre o herdeiro Daquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado porque você realmente não sente mais o seu nariz. E não bastasse tudo isso, as pessoas querem te fazer sair de casa sendo que a única coisa que você realmente quer fazer é morrer em paz e parar de suar como um porco no deserto porque você. simplesmente. não. sabe. lidar. com. o. calor. 

Me deixa.

07 setembro 2015

Contos do Esconderijo (Anne Frank)

Se Pollyanna fosse uma menina de verdade, seria Anne Frank.

Em Contos do Esconderijo somos apresentados à algumas passagens excluídas do diário de Anne e algumas histórias que ela escreveu durante os dois anos escondida no anexo secreto, a primeira parte sendo ficção e a segunda, memórias da Anne, somando um total de trinta contos. Eu amei cada pedacinho do livro, mas marquei dois em especial: A Fada e O Poço de Iniquidade. Em todos os contos podemos ver o fio de esperança que Anne segurava e tentava manter consigo à qualquer custo, e tentava passar isso para as pessoas. E também vemos que ela era uma garota normal, como tantas outras, como nós fomos, e tentar se manter alegre e esperançoso naquelas circunstâncias... é de se admirar.

Em A Fada (12 de maio de 1944), conhecemos Ellen, a fada, que perdeu os pais muito jovem e herdou todo o dinheiro da família, e então em uma noite ela decide doar esse dinheiro aos menos afortunados para que eles fiquem alegres. Mas com o tempo, vendo que o dinheiro ia acabando, ficou se perguntando o que poderia dar aos pobres, foi quando chegou à conclusão de que poderia se dar, dar seus ouvidos e sua companhia.

Ela continuou a dar muito, não dinheiro mas bons conselhos e palavras carinhosas e curativas. Tinha aprendido que mesmo se alguém está completamente sozinho, ainda pode fazer de sua vida algo maravilhoso; e não importa o quanto alguém seja pobre, porque ainda pode proporcionar aos outros muitas riquezas.

Já em O Poço de Iniquidade (22 de fevereiro de 1944), Anne disserta sobre o nu e aqueles que "tendem a encontrar defeitos em quem não está suficientemente vestido". Quão atual é isso? Mês passado a Anna Vitória escreveu sobre o babaca nosso de cada dia que resolveu dar palpite sobre o tamanho de sua saia. Aí eu te pergunto, o que é estar "suficientemente vestido"? Parece que o cenário mudou, mas as pessoas, nem um pouco. Bora evoluir galera, já se passaram setenta e um fucking anos. Na verdade isso não deveria nem ter começado.

Nem por isso deve-se pensar que sou daquelas que acham que seria melhor vivermos como os homens das cavernas ou andar por aí vestidos apenas com peles de animais; não, absolutamente, gostaria apenas que nossa existência fosse um pouco mais livre, um pouco mais natural, um pouco mais informal.

Anne tinha pensamentos fortes para alguém de sua idade e tinha opiniões maduras sobre vários assuntos. Não sei se foi a guerra, a criação, ou sua própria personalidade, mas Anne Frank é uma garota de admirar e ter como exemplo. E não sei porque mas, eu acho que se ela vivesse nos dias de hoje, ela seria o tipo de pessoa que teria um blog.

04 setembro 2015

Pegasus fantasy

Usagi me representa

Desde que eu me entendo por gente, eu tenho crushes. No carinha que trabalha comigo, no carinha que pega ônibus comigo, naquela pessoa que eu vi uma vez na minha vida pela janela pra nunca mais. Mas sabendo lidar, todos são saudáveis. Mas se não bastassem, quando eu tinha uns 12 anos Seiya entrou na minha vida e me deu uma nova definição de crush (mesmo que eu não soubesse o que era um crush naquela época), e eu me sentia bizarra até ler esse post aqui da Anna Vitoria: eu não sou a única com crush em desenhos animados \o/ o mundo não está perdido \o/. Me senti compreendida. Daí eu parei para pensar se tive crush em mais algum personagem de desenho animado, então cá estamos:

- Seiya, de Cavaleiros do Zodíaco
Meu primeiro crush animado, a nível de ficar chorosa quando ele apanhava no episódio à sentir ciúme (!!!!!!) da Atena, eu queria fazer parte daquela história só para ter meu final feliz ao lado do pégaso. Awkward. E eu não consigo encontrar um bom gif do Seiya, vô chorar.


- Ash Ketchum, de Pokémon
Além de querer ser um mestre Pokémon, eu queria viver aquelas aventuras junto com o Ash. E gente, eu não lembrava o sobrenome dele, me lembra ketchup. Ou talvez eu só esteja com fome.


- Sakura Kinomoto, de Sakura Card Captors 
Provavelmente minha primeira girl crush? Parte de mim queria ser ela e a outra parte morria de amores por ela.


- Sakura Haruno, de Naruto
Tive um crush pesado na Sakura e a admirei muito quando ela se desapegou do cabelo pra lutar, com direito a lágrimas. Ao mesmo tempo que eu queria ser ela para ficar com o Sasuke.


- Sasuke Uchiha, de Naruto
Depois do Seya (ninguém supera o Seiya <3), meu crush-masculino-desenho-animalístico mais pesado. Gente eu amava esse guri. Todo o mistério envolvido em torno do personagem, e confesso que os personagens de Naruto no geral conseguiram me deixar com crush pelo menos uma vez, até o próprio Naruto, mas ai ai ai Sasuke. E eu sei que rola uma coisa do mal ali, mas não terminei o anime, não sei dizer o que virou.


- Mulan, de Mulan
A cota Disney do dia. Meu filme favorito da Disney de todos os tempos, assisti a primeira vez em 1998 no VHS, eu tinha quatro anos, e muitos anos mais tarde lá estava eu admirando aquela mulher forte que se fingiu de homem e foi pra guerra para proteger o pai. Mais do que o relacionamento pai e filha aqui, Mulan se descobrindo durante a história, e se descobrindo mais do ela mesma achava que era capaz, por favor como não se arrepiar na cena de Homem Ser? Mulan, te amo.


Provavelmente, depois dessa, você deve estar me achando completamente bizarra e sem noção. 
Pode me julgar, eu deixo!

03 setembro 2015

Nossa, você fala palavrão

Se eu ganhasse um real cada vez que ouvisse isso, bom, eu teria muitos reais.

Eu não sei que tipo de imagem eu passo para as pessoas ou que tipo de visão elas têm de mim, mas sempre que elas vão me definir ouço as palavras meiga, fofa e de vez em quanto algum substantivo no diminutivo, tipo engraçadinha. Mas gente, eu falo palavrão sim. E adoro ver a cara de surpresa de alguns ao soltar um “caralho”. Já chegaram a dizer que sou uma gracinha quando falo palavrão, que não condiz, e é estranho. Bonitinho. E as pessoas começam a rir ao me ver irritada, pois sim, os palavrões saem mais no momento da irritação. Quando estou irritada sou uma gracinha, dizem. Seja pela minha cara de criança, pela voz de criança ou pelo meu tamanho de criança (nem sou tão pequena assim, mas sou pequena, 1,60, perto de todos os envolvidos), acho que todo mundo acha que sou uma criança de 21 anos.

- claramente, é assim que as pessoas me enxergam

Só que eu não sou tão fofa assim. Não que eu me ache fofa, eu não sou fofa, mas é o que dizem. E apesar de falar palavrão hoje em dia, minha eu de cinco anos atrás odiava soltar um "puta que pariu" por acidente, hoje, coisa que é normal. Eu achava feio falar palavrão, e queria ser uma moça polida, e "mulher não pode falar palavrão, é feio". Meu c. Palavrão pra mim é força de expressão, nada sai tão bem quanto um PUTA QUE PARIU bem falado quando naqueles idos eu soltaria um "nossa!", sabe? Qual é o problema com os palavrões? A única coisa que eu realmente acho errado nesse mérito é uma criança de três anos mandando os outros tomarem naquele lugar, ela nem sabe o que está dizendo, ou fazendo quando resolve levantar os dois dedos do meio pro ar no maior estilo Avril Lavigne de ser. Eu não falo palavrão perto do meu irmão de 10 anos, por exemplo. 


E eu comecei a xingar em inglês, acredite ou não, e depois se tornou uma coisa natural. Não me considero boca suja, só acho que palavrões são necessários para caralho em algumas situações. Sim, gente, eu falo palavrão, desculpa se iludi todos vocês. 

02 setembro 2015

Das coisas que eu aprendi no meu primeiro freela


Mês passado eu fiz meu primeiro trabalho e eu não poderia estar mais feliz e ao mesmo tempo mais assustada. Como agir, e se tudo der errado, eram questões reais e me colocaram nos nervos. Primeiro porque eu nunca tinha fotografado à noite até aquele dia, foi minha prova de fogo, e segundo porque eu estava ali sozinha, então a responsabilidade de capturar todos os momentos era exclusivamente minha. E ah, por acaso eu citei que era um casamento? Se uma mulher se interessou por casar e casar ao pé da letra como manda a tradição, pode se dizer que aquele seja um dos dias mais importantes de sua vida. Além de toda a responsa ainda tinha a pressão que eu coloco em mim mesma para tudo de me meto a fazer: eu preciso ser o meu melhor. E depois de todo o medo de dar errado, acabar a bateria da câmera, dar perda total no cartão de memória, esquecer o cartão de memória, as fotos ficarem ruins, todas borradas, ser assaltada no ônibus de viagem, cair e quebrar uma perna - essa sou eu -, ainda enrolei duas semanas para editar as fotos do casamento, com medo do produto final.

Eu aprendi que o nervosismo me faz ser a melhor, foi assim no palco em 2009 e foi assim no casamento no dia 15 de agosto. Aprendi que por mais que o equipamento não seja o essencial no final das contas, um flash externo teria me ajudado. Aprendi que para não surtar achando que a bateria ia acabar, tenho que comprar uma bateria extra, por mais que dessa vez ela tenha durado a cerimônia e a festa inteira, e ainda chegou em casa com todo o gás, a gente nunca sabe o dia de amanhã. Aprendi que viajar sozinho faz muito bem pra cabeça e que idosos realmente gostam de mim, sei lá por que. Aprendi que não posso ter medo de cometer erros, e que tudo bem não conseguir aquela foto perfeita, eu consegui outras tantas. Aquela história de menos é mais? Não na fotografia. Ao ponto de tirar duzentas e poucas fotos e no fim salvar 65. Aprendi que todo trabalho tem seu lado ruim, não importa qual seja. Meu lado ruim é lidar com os editores de fotos. Aprendi que as pessoas amam fotógrafos e vão querer te contratar para todos os trabalhos possíveis. E o mais importante: aprendi que amo o que eu faço.

Essa é uma daquelas experiências que vou levar para a vida inteira e toda vez que eu for fazer algum trabalho, seja ele qual for, vou me lembrar daqueles dias. Agora mais do que nunca eu quero tirar tudo o que minha câmera conseguir me dar, praticar todos os dias e cada dia mais ser o melhor que posso ser. 

Para ver as fotos, visite meu Flickr!

01 setembro 2015

Escrevendo sobre não conseguir escrever?

Ultimamente não ando conseguindo escrever. Sobre nada. Eu sempre tenho aquela história que penso que seria boa de contar, mas quando olho para a folha em branco, eu não consigo encontrar as palavras, e no geral quando consigo, aquela história se transformou em um parágrafo que, ou eu acho chata demais para continuar, ou simplesmente paro por ali mesmo. E isso é horrível. 

Quando eu tive um diário em 2009, eu tinha o hábito de escrever todos os dias. Era um diário mesmo, com direito a cadeado e tudo, e aí as folhas acabaram e eu descobri os blogs um ano depois, e criei um diário, e não sei se eu fiquei mais chata ou mais crítica com o passar dos anos. Provavelmente os dois. Ou eu estou obcecada pelo exercício da escrita e esqueci que fazia isso por prazer, daí perdi a essência. Desde que eu voltei pra esse mundo escrever ficou com cara de obrigação. E isso tá errado, muito errado. Eu amo escrever desde que aprendi a escrever, eu tenho dó de jogar meus cadernos fora e me arrependo de ter me desfeito do diário de 2009, mas escrever hoje não está tão prazeroso quanto quatro anos atrás, e isso não faz sentido pois essa não sou eu. Em 2013 eu li mais do que escrevi, em 2014 eu escrevi mais do que li e esse ano não faço ideia do que é que estou fazendo. Eu voltei porque senti falta, mas agora não faz sentido pois sempre parece que está faltando alguma coisa. Está me faltando. E é um negócio bizarro já que toda a pressão vem de mim mesma. Gente? Eu não faço sentido. 

Toda vez que pego o DL1 para reler minha consciência grita "essa é você, o que raios aconteceu com essa garota?", e não aconteceu nada. Não vou falar que ela cresceu, pffff isso é ridículo, certas coisas nunca mudam, e isso não deveria mudar. Eu sempre escrevi para fugir, esconder e pertencer, e pode ser que hoje eu já saiba lidar melhor com a vida (risos), não preciso mais fugir (sempre), mas ficar sem escrever é horrível e eu provei desse veneno em 2012. Foi a pior decisão da minha vida. 

O que houve com a aquela menina que tinha gana por escrever e contar histórias? O que aconteceu com aquela menina que em 2010 decidiu criar um blog e ser feliz? Que crise é essa? São tantas dúvidas. E sempre que efetivamente escrevo mais que um parágrafo, normalmente envolvem dúvidas e perguntas sem resposta e essa fase esquisita. Eu já estou assim há meses, quiçá desde que criei o Astigmatismus/DL (posso confessar que sinto falta desse nome? que sinto falta de todos os nomes que já usei? que de vez em quando da vontade de mudar o nome porque meu deus, "Diga, Ludimila", eu poderia ter pensado em nome melhor). Eu não me sinto em casa na minha própria casa, e isso tá errado, muito errado, não faz sentido e não sei se esse texto fez. 

E  toda vez que eu acho que terminei por aqui, vem mais na minha cabeça (hue). Parte de mim quer dar tempo ao tempo, parte de mim está ignorando tudo isso, a outra parte está surtando e querendo estar morta, e a maior parte sente muita saudade de escrever de verdade. Eu salvo um monte de prompts achando que eles vão me ajudar, não necessariamente com pautas, mas com... tudo. Eu quero escrever um texto sobre o quanto amo Converse All Star, eu quero escrever um texto sobre meu amor por sapatos vermelhos, eu quero escrever sobre o passarinho que entrou voando pela janela do meu quarto e ficou ali por três segundos, mas eu não consigo. Não é que eu não consigo, eu posso sentar e escrever, mas ou a) vou achar que está uma bosta e deletar; ou b) não vou passar do primeiro parágrafo, vou achar que está uma bosta e deletar. E vou terminar fazendo algum meme perdido pelas internets e assim a vida toca, porque é sempre mais fácil fazer uma lista sem pé nem cabeça do que escrever um texto de mais de 500 palavras.

Afinal, eu consegui escrever sobre alguma coisa.